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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

CLARIVIDÊNCIA



CLARIVIDÊNCIA

(por Luís Carlos de Oliveira)

Fizeram agora 

Dinheiro de plástico. 
O papel-moeda 
foi posto de lado. 
Eis a denúncia 
no verso: 

Quinhentos anos... 
Índios atônitos, 
Trabalhos mestiços, 
Negros circunspectos. 
Só alegres os loiros e brancos. 

Vale o dinheiro. 
"Deus seja louvado" foi esquecido. 
Observe a nota: 
Tem uma no seu bolso. 
Nota 10. 

Ressuscita Caminha, 
Reescreva tua obra de ficção. 
- Por dez moedas 
um povo é crucificado. 

Ah, Cabral! 
Afundamos mais uma vez 
A tua caravela. 

CADERNOS NEGROS 25. Quilombhoje, São Paulo, 2002 pag.108.

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